Florianópolis, 10 de Outubro de 2006

Carta Aberta

à Sociedade Catarinense

em Repúdio à Produção de Vitelo em SC

 
Ilmo.Senhor

Athos de Almeida Lopes

Presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

Florianópolis – SC



Sr. Presidente e demais representantes da EPAGRI,

Diante do lançamento do "embutido de vitelo" promovido pela EPAGRI na última semana, 27 de setembro, nós, ativistas do movimento pela abolição da exploração animal, expressamos o nosso imenso descontentamento com relação ao incentivo da EPAGRI à produção de alimentos desnecessários à nutrição humana e que causam imenso sofrimento aos animais.

De acordo com a nossa postura como seres humanos, lutamos pelo respeito aos animais e pela integridade ética do nosso relacionamento com os mesmos.

Vale ressaltar os aspectos moralmente condenáveis que o sistema de produção de vitelo apresenta, tais como a subjugação das vacas leiteiras (mães) e o abatimento precoce de terneiros, que ainda podem ser confinados em situação de extrema crueldade: impossibilitados de se locomover a fim de não criarem músculos e com alimentação pobre em ferro, os terneiros são mantidos anêmicos para que sua carne esteja mais tenra e clara para simplesmente atender a exigência dos consumidores. Isso resulta em uma obscura e estressante sobrevivência, impossibilitando-os de exercerem o maior direito que um ser vivo possui: viver, e não sobreviver.

Além de estarem meramente vivos, os bezerros possuem um sistema nervoso central organizado e são animais sencientes, isto é, são conscientes daquilo que sentem, inclusive das experiências de dor e sofrimento às quais são submetidos.

Mas Independentemente do sistema de criação, soltos ou em baias isoladas, a crueldade ainda existirá, mudando apenas de grau. Existirá já que de qualquer forma estes estão sendo utilizados como se suas vidas só adquirissem sentido ao nos servir de alimento, sendo-lhes atribuído apenas valor instrumental, como meros meios para atingir fins humanos. E, diga-se de passagem, trata-se de um fim banal e trivial degustar certo tipo de alimento, tendo tantas outras opções disponíveis que não inflijam dor, sofrimento ou dano a seres sencientes.

Não há justificativa ética para que esse suposto interesse humano prevaleça sobre um outro interesse, o dos bezerros, este sim, básico e vital, de quererem continuar vivos e bem, a seu próprio modo, não lhes sendo privada a busca de alimento e a interação com membros de sua própria espécie.  
Não concordamos com a forma como a indústria leiteira tem afetado a vida desses animais não-humanos. Somos os únicos mamíferos que continuam a se alimentar de leite depois de atingida a idade adulta. Cientes do que acabamos de escrever, perguntamos: consumir leite e derivados é uma necessidade ou um hábito?

Assim como toda empresa em solo brasileiro, a EPAGRI tem o compromisso de primar pela construção de uma sociedade mais justa e eticamente responsável. Entendemos o nobre objetivo incumbido à EPAGRI, de levar à sociedade rural melhores condições de vida, porém, tal meta não deve ser alcançada a todo e qualquer custo. Não é de agora o hábito de nos posicionarmos acima das demais formas de vida existentes na Terra. Essa forma preconceituosa de convívio, cada vez mais, mostra-se completamente ineficaz e danosa a todos que dela se nutrem.

Essa carta é insuficiente para demonstrar o tamanho de nossa indignação. Tomaremos todas as providências possíveis para que a população saiba o que está ajudando a financiar, seja contribuindo com impostos, seja comprando produtos da indústria leiteira e assim compactuando com programas que fomentam indiferença e crueldade para com os animais, seres vivos que merecem toda atenção e respeito, assim como nós, humanos, merecemos.

Não será através de um "embutido de vitelo" que os humanos do campo alcançarão a qualidade de vida desejada condizente com os princípios da ética e da justiça. Não conseguirão enquanto dependerem da exploração animal.

Como contribuintes do Estado Catarinense, pedimos que a EPAGRI não mais incentive a desnecessária indústria do vitelo e que não mais realize as degustações. Pedimos que não se produza essa vergonha em nosso território. A sociedade não carece de tal produto. Pedimos que Santa Catarina não faça parte dessa cruel e sangrenta covardia.

Em nome de todos os novilhos e suas mães, nós aguardamos uma resposta dos prezados senhores.

Atenciosamente,

Pedro S. Teixeira
gaefloripa@gmail.com
GAE-Floripa


Maria Helena Lenzi
grupo-floripa@svb.org.br
  SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira
Grupo Florianópolis

Karla Souza Pinto
eobicho@eobicho.org
Instituto É o Bicho

Apoio:

GAE-Porto Alegre
(Grupo Anti-Especismo de Porto Alegre - RS)
gae.portoalegre@gmail.com  

APASCS
Associação Protetora dos Animais de São Caetano do Sul -SP
http://www.apascs.org.br/

Movimento SOS Bicho
Curitiba -PR
s.o.s.bicho@uol.com.br

Grupo Fauna de Proteção aos Animais
Ponta Grossa - PR
http://www.grupofauna.org/