Carta Aberta
à Sociedade Catarinense
em Repúdio à Produção de Vitelo em
SC
Ilmo.Senhor
Athos de Almeida Lopes
Presidente da Empresa
de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina
Florianópolis –
SC
Sr. Presidente e demais representantes da EPAGRI,
Diante do
lançamento do "embutido de vitelo" promovido pela EPAGRI na última semana, 27 de
setembro, nós, ativistas do movimento pela abolição da exploração animal,
expressamos o nosso imenso descontentamento com relação ao incentivo da EPAGRI à
produção de alimentos desnecessários à nutrição humana e que causam imenso
sofrimento aos animais.
De acordo com a nossa postura como seres
humanos, lutamos pelo respeito aos animais e pela integridade ética do nosso
relacionamento com os mesmos.
Vale ressaltar os aspectos moralmente
condenáveis que o sistema de produção de vitelo apresenta, tais como a
subjugação das vacas leiteiras (mães) e o abatimento precoce de terneiros, que
ainda podem ser confinados em situação de extrema crueldade: impossibilitados de
se locomover a fim de não criarem músculos e com alimentação pobre em ferro, os
terneiros são mantidos anêmicos para que sua carne esteja mais tenra e clara
para simplesmente atender a exigência dos consumidores. Isso resulta em uma
obscura e estressante sobrevivência, impossibilitando-os de exercerem o maior
direito que um ser vivo possui: viver, e não sobreviver.
Além de estarem
meramente vivos, os bezerros possuem um sistema nervoso central organizado e são
animais sencientes, isto é, são conscientes daquilo que sentem, inclusive das
experiências de dor e sofrimento às quais são submetidos.
Mas
Independentemente do sistema de criação, soltos ou em baias isoladas, a
crueldade ainda existirá, mudando apenas de grau. Existirá já que de qualquer
forma estes estão sendo utilizados como se suas vidas só adquirissem sentido ao
nos servir de alimento, sendo-lhes atribuído apenas valor instrumental, como
meros meios para atingir fins humanos. E, diga-se de passagem, trata-se de um
fim banal e trivial degustar certo tipo de alimento, tendo tantas outras opções
disponíveis que não inflijam dor, sofrimento ou dano a seres sencientes.
Não há justificativa ética para que esse suposto interesse humano
prevaleça sobre um outro interesse, o dos bezerros, este sim, básico e vital, de
quererem continuar vivos e bem, a seu próprio modo, não lhes sendo privada a
busca de alimento e a interação com membros de sua própria espécie.
Não concordamos com a forma como a indústria leiteira tem afetado a vida
desses animais não-humanos. Somos os únicos mamíferos que continuam a se
alimentar de leite depois de atingida a idade adulta. Cientes do que acabamos de
escrever, perguntamos: consumir leite e derivados é uma necessidade ou um
hábito?
Assim como toda empresa em solo brasileiro, a EPAGRI tem o
compromisso de primar pela construção de uma sociedade mais justa e eticamente
responsável. Entendemos o nobre objetivo incumbido à EPAGRI, de levar à
sociedade rural melhores condições de vida, porém, tal meta não deve ser
alcançada a todo e qualquer custo. Não é de agora o hábito de nos posicionarmos
acima das demais formas de vida existentes na Terra. Essa forma preconceituosa
de convívio, cada vez mais, mostra-se completamente ineficaz e danosa a todos
que dela se nutrem.
Essa carta é insuficiente para demonstrar o tamanho
de nossa indignação. Tomaremos todas as providências possíveis para que a
população saiba o que está ajudando a financiar, seja contribuindo com impostos,
seja comprando produtos da indústria leiteira e assim compactuando com programas
que fomentam indiferença e crueldade para com os animais, seres vivos que
merecem toda atenção e respeito, assim como nós, humanos, merecemos.
Não
será através de um "embutido de vitelo" que os humanos do campo alcançarão a
qualidade de vida desejada condizente com os princípios da ética e da justiça.
Não conseguirão enquanto dependerem da exploração animal.
Como
contribuintes do Estado Catarinense, pedimos que a EPAGRI não mais incentive a
desnecessária indústria do vitelo e que não mais realize as degustações. Pedimos
que não se produza essa vergonha em nosso território. A sociedade não carece de
tal produto. Pedimos que Santa Catarina não faça parte dessa cruel e sangrenta
covardia.
Em nome de todos os novilhos e suas mães, nós aguardamos uma
resposta dos prezados senhores.
Atenciosamente,
Instituto É o Bicho
Apoio:
GAE-Porto Alegre
(Grupo Anti-Especismo de
Porto Alegre - RS)
gae.portoalegre@gmail.com APASCS
Associação Protetora dos Animais de São Caetano do Sul
-SP
http://www.apascs.org.br/
Movimento SOS Bicho
Curitiba
-PR
s.o.s.bicho@uol.com.br
Grupo Fauna de Proteção aos Animais
Ponta Grossa - PR
http://www.grupofauna.org/